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3 de set de 2016

A FORÇA DE UM POVO

UM LUGAR SANTO | Fonte da imagem: revoltacanudos












UM LUGAR SANTO







      O nordeste brasileiro no final do século XlX, era muito difícil, pois a fome, seca, miséria, abandono político e violência, afetavam os nordestinos. Os coronéis da política brasileira não estavam nem aí para os miseráveis das secas.  Geralmente essa situação afetava mais, os mais carentes, os mais necessitados. Nesse cenário nebuloso, também se misturava junto a tudo isso, o fanatismo religioso, e isso desencadeou um grave problema social. 





      Antônio Conselheiro, que era um Beato e que passou a ser reconhecido logo após a proclamação da república, esse beato era uma dos representantes desse povo pobre e miserável que vivia ao Deus dará, no meio do sertão nordestino, esquecido por todos e pelo poder público. O beato tinha as suas convicções e seus ideais, e achava que tinha sido um enviado de Deus. Ele era cearense, nascido na vila de Quixeramobim. 





      Nasceu e cresceu em uma família de classe média e praticamente teve uma vida com uma condição que lhe proporcionou estudar línguas estrangeiras e outras matérias, tais como, matemática e geografia. Antônio Vicente Mendes Maciel, praticamente teve uma qualidade de vida boa e que nem todos tinham isso nessa época. Pois bem, o tempo passa e depois da morte do seu pai, ele já estava com 27 anos, e assumiu os negócios da família. 





      Mas com o tempo, ele não obteve o sucesso desejado, e abandonou a atividade comercial, fechou o armazém e partiu para outros ramos. Casou-se com uma prima e exerceu funções jurídicas nas cidades de Ipu e Campo Grande. Depois de alguns anos, abandonou a sua mulher, e passou a vagar pelo sertão do nordeste brasileiro. Depois teve um caso com uma escultura de nome Joana Imaginária, e desse relacionamento, teve um filho. No ano de 1865 abandonou a segunda mulher e o filho, e retornou à sua peregrinação sertaneja. 





      Deixou a barba crescer e começou a construir templos católicos e cemitérios na região central do sertão. Ele construiu um personagem deixando a barba crescer e com chinelos de couro e cajado na mão, e percorria o sertão nordestino. Ele percorreu o sertão pernambucano, cearense, sergipano e baiano. Em 1874 apareceu no sertão baiano, já tinha bastante seguidores, que eram os fiéis que ele doutrinava por essas bandas do sertão. 





      Também foi preso por suspeita de assassinato no sertão nordestino. Nos anos de 1877 a 1887 passou peregrinando pelo sertões, só parando em acolá. Chegou uma época que o Bispo da Bahia proibiu que os fiéis seguisse Antônio Conselheiro. Mas nem o delegado, nem o vigário deram jeito na revolução espiritual que esse homem implantou dentro do sertão nordestino. Na época o presidente da província acusava Conselheiro de implantar doutrinas subversivas. O presidente tentou internar Antônio Conselheiro em algum hospício, mas não conseguiu por falta de vagas. 





      A primeira cidade santa criada pelo beato, foi arraial do Bom Jesus, nos dia de hoje se chama Crisópolis, onde existe a capela construída pelo Conselheiro. No ano de 1893 o governo federal autoriza os munícipios cobrarem impostos no interior, então o Beato resolve pregar a decisão de não pagar esses impostos. O seu grupo ou seja, os seus fies e seguidores, depois disso, parte em retirada, mas os fies são perseguidos por uma força policial, formada por trinta soldados que cerca o grupo em Massete. O grupo do Beato Antônio Conselheiro consegue derrotar os policiais. 





      Depois da fuga, novos adeptos se juntam aos fugitivos. Depois de muitos dias, eles se refugiam em uma fazenda de gado, que estava abandonada. Antônio Conselheiro se transformou em uma lenda dentro do sertão nordestino, igual ao cangaceiro Virgulino Lampião. Seus fiéis recuperaram aquela região criando animais e plantando para consumo. Só que o governo continuava perseguindo, e mandou as tropas controlar os rebeldes, pois eles não temiam nem canhões nem metralhadoras. Só conseguiram massacras o povoado depois de 4 expedições. 





       Canudos foi reprimida sem piedade e nem dó, no dia 5 de outubro de 1897, morreram os últimos defensores. Canudos resistiu até o esgotamento completo, e o Beato Antônio Conselheiro foi assassinado e decapitado. No dia 6 de outubro, o arraial foi incendiado por completo, seus 5.200 casebres desapareceram com o incêndio. Essa é só uma das muitas batalhas que existiram dentro do sertão e dentro do nordeste brasileiro. Essa terra foi construída com sangue suor e lágrimas, nada caiu de paraquedas por aqui. O nordeste brasileiro tem muita história e uma cultura riquíssima e forte. Nordeste brasileiro, uma terra de homens fortes e de cultura rica.



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