A ARTE DE QUEBRAR COCO
O babaçu é uma palmeira brasileira, uma das mais importantes das muitas palmeiras que fazem parte da biodiversidade do cerrado e da caatinga Nordestina. Ela pode atingir até 20 metros de altura.
Tem uma folha com 8m de comprimento, arqueamento, arqueadas. Suas folhas mantem-se em posição retilínea, e poucas vezes se volta em direção do solo. E sempre, orienta-se para o alto. Suas flores são creme amareladas e dão em longos cachos. Seus frutos são ovais alongados, de coloração castanha, que surgem de agosto a janeiro, e sua floração dá em cachos pêndulos.
Sua polpa é farinácea e oleosa, e tem de 3 a 4 sementes oleaginosas. Essa palmeira é especialmente da região norte e nordeste do Brasil. Existe um movimento de mulheres que faz a extração natural dessas amêndoas, que são chamadas as “Quebradeiras de Coco”. Elas atuam nos estados do Piauí, Maranhão, Pará e Tocantins. Mas com certeza, essa palmeira pode existir no estado do Amazonas, também.
O babaçu, também é conhecido como baguaçu, coco do macaco ou coco pindoba. As quebradeiras de coco, fazem parte de um movimento social feminino que, combina consciência ecológica, saberes vivenciados pela prática e detenção da autonomia da produção, formando uma identidade coletiva. Essa palmeira também é muito usada nas construções de casas.
Dos seus frutos, é extraído o óleo, que serve para diversos fins, e a própria amêndoa, pode ser consumida in natura. Mas para que isso aconteça, é onde entra as guerreiras, as “Quebradeiras de Coco”. Contra uma vida de segregação, elas iniciaram seu processo de luta, que foi denominado por elas, como: Babaçu Livre. Esse nome veio devido as lutas que elas travaram com grandes pecuaristas dessas regiões.
Eles construíam cercas em torno da área das palmeiras, e isso dificultava e muito, o acesso delas na área do cocal. Naturalmente isso impedia o livre acesso a colheita do babaçu. Com isso os grandes pecuaristas transformavam os babaçuais em área de pastos, numa atitude que prejudicava e muito o meio ambiente e a cultura das populações tradicionais que colhiam o babaçu para a sua sobrevivência.
Então, as mulheres, para fortalecerem suas reinvindicações, elas criaram o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) no ano de 1995. O MIQCB luta pelo direito à terra e à palmeira de babaçu para que possam trabalhar e manter a natureza estável, e pelo reconhecimento das quebradeiras de coco como uma categoria profissional.
Essa discussão política ganhou força em 1997, quando foi aprovada, no município de Lago do Junco, a lei do Babaçu Livre, garantindo assim, que as Quebradeira de Coco Babaçu, tivessem direito ao livre acesso e uso comum dos babaçuais e impôs restrições as derrubadas dessa árvore para aumentar o pasto ou não, do rebanho dos grandes pecuaristas dessas regiões. Mesmo assim, vemos que esse é um trabalho quase sub-humano e sem remuneração justa, pois é tudo muito rústico e muito arcaico no sentido de dignidade humana.
Pois vemos que essas mulheres, trabalham de sol a sol, e o preço dessa amêndoa talvez não chegue o suficiente para elas se sustentarem dignamente. Muitas delas ou quase todas elas, saem sem tomar o café da manhã, para colherem esses frutos, e poderem voltar com o mínimo do mínimo para terem o direito de fazerem as suas refeições e a dos seus. Essa é a vida das quebradeiras de coco babaçu no Meio Norte nordestino.

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