LAVADEIRAS DOS RIOS DO NORDESTE QUE LEVAM NA SUAS HISTÓRIAS UM EXEMPLO DE MULHERES DE ARTE E CULTURA REGIONAL
O Brasil ainda é um país muito rústico e atrasado, do ponto de vista e do contexto cultural de muitos lugares longínquos em diversas de suas sub regiões. Apesar dos seus 519 anos, podemos encontrar em vários lugares, dentro de várias dessas sub-regiões nordestina, muita gente desassistida economicamente, socialmente, culturalmente dentro do contexto da vida dessas pessoas em seus territórios.
Isso também mostra a incapacidade política de levar infraestrutura para os lugares menos favorecidos. O mais impressionante é que, muitos políticos, parecem que só aparecem nessas áreas, de quatro em quatro anos; para pedir votos. Dá-se a entender que, são pessoas muito pobres que não tem nenhuma condição financeira de comprarem suas possantes máquinas de lavar, mesmo porque nesse sertão de meu Deus, não existe infraestrutura.

Em muitas cidades pequenas e distritos nordestinos, onde a água quase não vem e quando chega, não dá para todos que ali estão fazerem uso dela. Muitas mulheres, levantam com o sol raiar, arruma a trouxa de roupa, colocam na cabeça, e vão em direção a qualquer açude ou barreiros, ou mesmo pequenos ou grandes rios da região, para lavarem suas roupas. A necessidade, obriga a labuta, que se transforma em cultura e arte tradicional, mas que também poderia ser amenizado o trabalho dessas mulheres. Algumas, se iniciam na profissão ainda criança, muitas delas nascidas e criadas nos arredores dos rios, açudes, barreiros ou cacimbas; tem isso como profissão e que ajuda a sustentar suas famílias. Além de lavarem suas próprias roupas elas ainda ganham o seu próprio sustento lavando as roupas de outras pessoas. Essas mulheres guerreiras, da labuta do dia a dia dentro da caatinga ou em qualquer outra sub-região nordestina, antes de mais nada são heroínas. No dia a dia dessas lavadeira, elas tem todo um ritual de preparação para a sua jornada de trabalho, para lavar a roupa no rio, ou açude, ou mesmo em um barreiro ou pode ser numa cacimba, elas cortam o sabão, prepara a trouxa de roupa que vai lavar coloca em sua cabeça, e saem pelas veredas do sertão, ou pelos aceiros das estradas a cantarolar, isso pode ser só uma, pode ser mais de uma, mas a cultura e a arte faz parte do dia a dia delas e tradição é mantida mesmo que ainda sejam poucas, pois a modernidade vai chegando e os costumes vão se perdendo pelo submundo do esquecimento ou a falta de vontade de manter a tradição. O certo é que, elas põe suas roupas para lavar, esfregando-as, daqui e dali, terminam colocando suas roupas para quarar, depois que quara, vão enxaguar e depois colocam para secar; tudo isso cantarolando e vendo seus filhos a brincarem na água que serve de cenário para o seu trabalho. Essas roupas que elas lavam podem acreditar, saem mais limpas e mais cheirosas do que muitas roupas lavadas em muitas máquinas de lavar.

Mulheres como essas, merecem o respeito e admiração de todos, pelo trabalho que elas exercem. Esse trabalho árduo e mal remunerado, é cobrado por peças lavadas, não condiz com o peso de uma trouxa de roupa lavada e cheirosa que elas deixam. Outros fatores que contribuem para o desaparecimento das lavadeiras tradicionais são, rios poluídos, barreiros com pouca água limpa, e a própria estiagem dentro do sertão nordestino. Ainda encontramos essas personagens do cotidiano cultural do Nordeste brasileiro em muitos locais do sertão, do meio norte e até do litoral. É evidente que, o moderno pode andar lado a lado com o tradicional, só depende das pessoas e das necessidades delas em manter a cultura viva, para novas gerações. O certo é, que arte e cultura regional, está sempre dentro do contexto dessa região brasileira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
ARTE DO NORDESTE | blog de arte e cultura do nordeste brasileiro