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NEWTON AVELINO

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05 julho, 2020

A ARTE NORDESTINA DAS QUEBRADEIRAS DE COCO DO NORDESTE BRASILEIRO QUE FAZEM PARTE DA CULTURA EXTRATIVISTA DA SUB REGIÃO MEIO NORTE

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AS MULHERES QUEBRADEIRAS DE COCO QUE FAZEM PARTE DA ARTE NORDESTINA DENTRO DA CULTURA NORDESTINA E DO EXTRATIVISMO BRASILEIRO



      No interior nordestino, existem alguns meios de trabalho braçais que, não são nem valorizados e muito menos, bem remunerado. Além do mais, são meios muito primitivos que ainda são usados nas sub regiões nordestinas para muita família conseguir tirar o meio de sobrevivência de suas famílias. Vamos falar hoje, das mulheres que vivem o dia a dia de um trabalho muito cansativo e que rende pouco para o seu sustento e o sustento de sua família. Vamos falar das tiradoras de cocos babaçu. Do meio norte em diante, essa é uma prática comum e que faz parte da cultura dessa região onde elas vivem. Do Piauí, Pará e uma parte do Amazonas você encontra essa palmeira. 



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      Ela é uma árvore nativa do Brasil, da família das palmeiras. É encontrada nas regiões Nordeste e norte do Brasil. A maior concentração dessa palmeira fica no estado do Piauí e Maranhão, mas também pode ser encontrada no Estado do Ceará, Tocantins e Minas Gerais as margens do Rio São Francisco. Vamos falar das quebradeiras de coco babaçu. Essas mulheres formam grupos em comunidades extrativistas do estado onde elas residem, geralmente nos estados piauí, Pará, Maranhão ou Tocantins. Basicamente, são pessoas que se levantam para irem cedo para o trabalho dentro dessas reservas extrativistas, às vezes só tomam um cafezinho sem outro tipo de alimento e saem para a labuta. Dentro das reservas, elas se distribuem em grupos para começarem a sua luta do dia a dia dentro do trabalho que elas exercem. Elas têm seus modos próprios dentro do manejo e de organização de suas atividades. Dispersas pelas áreas de ocorrência da palmeira babaçu, as quebradeiras desenvolveram modos peculiares de manejo da terra, além de um código próprio de organização de sua atividade. Possuem como fonte de renda familiar principal ou secundária a coleta e quebra do fruto do babaçueiro, de modo a separar a amêndoa da casca. A semente do coco babaçu é oleaginosa, sendo utilizada como matéria-prima para diversos produtos manufaturados, além de servirem de alimento para as quebradeiras e suas famílias. Babaçu é o nome genérico dado às palmeiras oleaginosas pertencentes à família Palmaceae e integrantes dos gêneros Attalea e Orbignya. Do fruto, nada se desperdiça. Aproveitam-se as folhas para a construção dos tetos e do isolamento térmico das casas; da palha, nascem cestos que guardam e carregam; da casca, obtém-se o carvão; do caule, o adubo para fertilizar as plantações agrícolas; da polpa (mesocarpo), desenvolve-se uma farinha altamente nutritiva; das amêndoas, extrai-se o óleo, um dos mais versáteis do mundo e confecciona-se sabão, leite de coco, remédios naturais e, segundo as pesquisas científicas mais recentes, biocombustível. 

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      Da folha que pode chegar a 20 metros de altura e tem inflorescência em cachos, pode se usar em telhados para casas, cestas e muitos outros objetos de artesanato. Do seu caule, pode ser feito adubo e estrutura de construções, da casca do coco produzo-se carvão para fazer o fogo, é do seu mesocarpo, o mingau usado na nutrição infantil. A palmeira do coco babaçu alcança entre 10 a 30 metros de altura e pode atingir a produção plena após 15 anos. Os frutos produzidos são extremamente apreciados, por todo Brasil, tanto pela fauna silvestre, quanto pelos humanos. Os frutos dão em cachos, em média 3 a 5 por cada safra, com 300 a 500 cocos cada um. No tempo da maturação, os frutos caem no solo e a coleta desses frutos ocorrem de maneira natural, sem agredir o meio ambiente ou danificar a árvore. Em áreas degradadas ou com baixa densidade, de palmeiras, existe um tipo de manejo comum e sustentável que envolve a concentração a partir de mudas de palmeiras produtivas, com a separação de seus cocos maduros e de boa qualidade, para serem espalhados pela área afetada. 

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      A tarefa fica a cargo das cerca de 300 mil mulheres brasileiras, espalhadas pelos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí — área que aglutina o Cerrado, a Caatinga e a Floresta Amazônica, especialmente rica em babaçuais (a árvore do babaçu). O ofício dessas mulheres, é aprendido de geração em geração. Isso já existe há (séculos) famílias esquecidas num Brasil interiorano, num Brasil desigual desproporcionalmente falando, que tem riquezas naturais abundantes de recursos e também de especulação territorial e conflitos rurais. Um verdadeiro absurdo. Essas mulheres, munidas de seus cofos(cestos feitos de palha de babaçu, para carregar os cocos)e machados, coube enfrentar jagunços, cercas e o machismo, e mesmo a pobreza e a negação do Estado em reconhecer seus direitos, dos seus antepassados adquiridos. Depois de tudo isso, elas se passaram a se denominar como QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU. Elas, depois de muitos anos, foram reconhecidas e se organizaram. Com o passar do tempo, elas passaram a reforçar sua identidade coletiva enquanto se reuniam para quebrar coco, muitas vezes nos quintais de suas casas. Nos anos de 1980 explodiram os conflitos de terras; disputas que ameaçavam os territórios tradicionais, ocupados por anos pelos grupos, mas que não possuíam documentação, dando a eles, direitos para a exploração dessas reservas extrativistas. Grileiros e fazendeiros, de forma violenta, ameaçavam e expulsavam essas comunidades, cercavam a mata, afastavam as famílias do babaçual, renegavam a elas pequenos pedaços de terra, onde não era possível fazer roça e nem acessar o babaçu. Depois de muitas lutas na justiça, elas conseguiram o direito e a legalização de poderem fazer a extração do coco babaçu dentro dessas reservas extrativista. Esse é mais ou menos o retrato de um Brasil que o mundo talvez não conheça, mas que é real dentro do contexto. É muito triste, mas é a realidade de um Brasil que está muito além do que deveria ser. Poderia ser um país mais justo e com uma distribuição de renda mais justa. Um país continental como este, não precisa ter as desigualdades que tem, pois, aqui tem muita riqueza, só precisa se bem distribuidas.