SOFRIMENTO NA CAATINGA – A ARTE NORDESTINA | Blog de Arte e Cultura do nordeste brasileiro A ARTE NORDESTINA | Blog de Arte e Cultura do nordeste brasileiro: SOFRIMENTO NA CAATINGABlog de Arte e Cultura A ARTE NORDESTINA | Blog de Arte e Cultura do nordeste brasileiro: SOFRIMENTO NA CAATINGA A ARTE NORDESTINA | Blog de Arte e Cultura do nordeste brasileiro: SOFRIMENTO NA CAATINGABlog de Arte e Cultura A ARTE NORDESTINA | Blog de Arte e Cultura do nordeste brasileiro: SOFRIMENTO NA CAATINGABlog de Arte e Cultura

SEGUIDORES

Página Inicial Biografia Produtos Galeria O que dizem Jornalista Links Entrevistas Contato

04 outubro, 2016

SOFRIMENTO NA CAATINGA

LÍQUIDO PRECIOSO NO SERTÃO | Fonte da imagem: progresso












LÍQUIDO PRECIOSO NO SERTÃO








      A sobrevivência das pessoas que moram no sertão, só é possível, graças as chuvas que caem e enchem os açudes dessa região tão assolada pelas grandes secas. Como diz o poeta cancioneiro, “ no meu cariri, quando a chuva não vem não fica lá ninguém somente Deus ajuda, se não vier do céu chuva, que nos acuda, macambira morre, xique-xique seca juriti se muda”. Então o poeta expressou realmente as tristes paisagens secas do sertão escaldante, e a realidade desse lugar. 





      Só Deus para ter misericórdia dessas pessoas, quando a estiagem prolongada permanece. Não é mole não, as pessoas morarem em regiões esquecidas pelos poderes públicos regionais, municipais e federais, pois eles são os maiores responsáveis por colocarem o mínimo de infraestrutura nesses locais, mas quando isso não acontece, o sertanejo fica desesperado sem saber o que fazer da vida. A água é um líquido precioso, e no sertão, ela se torna mais valiosa do que o próprio ouro. 





      Eu costumo dizer, que Deus dá para o homem aqui na terra, principalmente aqueles que vivem da agricultura, ouro em forma de água, porque eu digo isso, é porque com água o agricultor pode plantar e pode vender aquele produto que ele produziu, transformando assim em moeda corrente, pode ter água de boa qualidade para o seu consumo e o consumo animal e pode usa-la nas tarefas domésticas. É claro que isso passa pelo um tipo de processo que vai depender da procura e da oferta, de financiamentos, e de uma série de coisas que existem no mercado financeiro, mas para o pequeno agricultor, que é aquele que vive da agricultura familiar, isso é fundamental, ele ter a água para poder trabalhar na sua roça. 






      Eu também costumo falar que, para se viver em áreas críticas do sertão, é preciso ante de mais nada, ter muita coragem e também nascido ali. Nessa terra, não existe meio termo, ou seja, ou é ou não é, tem que ter coragem de trabalhar e de produzir a sua própria alimentação e fazer disso, um meio de sustento e de geração de emprego e renda, mas para isso ele vai sempre precisar de programas dos governos para poder facilitar a entrada desse produto no mercado, e também, ter por parte desse governo, seja ele municipal, estadual e federal, o mínimo de incentivo. 






      O sertanejo nunca teve medo de trabalho, pelo contrário, alguns, acho que pelo menos 80% deles, participaram direta ou indiretamente da construção arquitetônica, gastronômica, predial e de outras vertentes da sociedade paulistana e de algumas cidades desse Brasil de meu Deus. Mas aí é outra história. O importante nesse contexto, é que, esse sertanejo, que todos nós estamos cansados de ver seja pela cultura popular do Nordeste, seja pelas notícias dos noticiários nacionais, vemos que é uma figura que só precisa de “oportunidades” para que ele produza na sua terra. 






      E como diz o poeta cancioneiro: “só deixo o meu cariri, no último pau de arara”. Então como vemos, essas pessoas não querem sair de suas terras, elas querem trabalhar e produzir tudo que pode nesse seu chão, é claro que isso a um preço muito alto, pois é onde entra a labuta do dia a dia em um sertão quente sem piedade, mas quando chove, vira um celeiro, que por incrível que pareça, pode vir a alimentar todo o Brasil. Nessa região de contrastes diferentes entre o sertão, o cariri, o meio norte, o alto oeste e as outras sub-regiões nordestinas, o Nordeste mostra a sua força e o trabalho de um povo chamado de sertanejos. 






      Bem, as paisagens do sertão nordestino, são paisagens muito conhecidas pelo o mundo a fora, pois quando essa região está chuvosa, o seu bioma fica verdinho, verdinho, mas quando as secas são prolongadas, a sua vegetação passa a ser cinza, e leva o nome de floresta branca, pois o cinza de longe, dá a impressão que é branco. Os açudes dessa região, é o único meio desses agricultores conseguirem água, pois eles usam animais para levar essa água em toneis ou mesmo em baldes e até cantis de madeiras. Essa é uma prática centenária, pois já faz bastante tempo que essa prática existe, isso é cultural, faz parte da cultura sertaneja. 






      Então quando esses reservatórios de água ficam secos, a população dessas pequenas cidades e povoados, se apavoram, porque sem o líquido precioso, não existe vida no sertão. Essa água, as vezes está boa para o consumo e as vezes nem tanto, então o sertanejo tem que fervê-la para depois consumir. O modo que essas pessoas transportam a água para as suas casas, sempre foi assim, no sertão aonde poucas cidades tem o mínimo de infraestrutura, isso já se tornou cultural, o transporte de água através de animais, de galões, de baldes e de carroças, hoje é que vemos carros pipas espalhados pelas cidades do sertão nordestino, e assim caminha a humanidade. 






      O que vemos em tudo isso, é que, nos mais longínquos lugares do sertão as coisas pouco mudaram para beneficiar as classes mais pobres, pois os governos municipais, na maioria das vezes quase nada pode fazer, pois tem municípios que as verbas são pequenas para investir no município, e por aí vai. Eu ainda acho que a agricultura brasileira e o turismo, podem ser das soluções para alavancar emprego e renda. Mas aí é outra história. Na verdade, é que, o povo sertanejo sempre fica a esperar por chuvas e por projetos que beneficiem mais a eles, e que beneficiem a essa região tão sofrida pela seca e pela fome.

Nenhum comentário: